Mecanismos de rega tradicionais

Junta Autónoma das Estradas (JAE)

Coleção de máquinas ligadas à construção e manutenção de rodovias. A maioria do espólio pertenceu à extinta Junta Autónoma de Estradas. 

Salientamos um cilindro em pedra de tração animal, máquinas de espalhamento de alcatrão e um cilindro movido a vapor de água, uma excelente peça de engenharia mecânica fabricada em Inglaterra. Esta peça estava a apodrecer num antigo estaleiro da JAE quando foi cedida à Fundação ADFP para a sua reabilitação. 

Estas peças integram um conjunto que retrata a conservação, limpeza e guarda das estradas em tempos idos. Do conjunto ressalta também a figura do cantoneiro. Indivíduo conhecido e respeitado no seio da sociedade onde vivia, responsável pela manutenção de um “cantão” de estrada, trajava a preceito, anunciando a sua categoria pela presença de emblemas, braçadeiras ou distintivos. 

Engenharia Hidráulica: mecanismos de rega 

A Quinta da Paiva como tantas outras propriedades ou pequenas parcelas de terra, foram palco de uma economia agro-pastoril que determinou durante séculos o modo de vida das populações. 

A preocupação de reunir num só domínio a produção, equipamentos de transformação de produtos agrícolas (moinho, lagar) e sistemas de rega, desde a simples levada, até ao engenho de tracção bovina faz as “grandes propriedades” auto-suficientes. Estes mecanismos que faziam o aproveitamento dos recursos naturais, estavam ao acesso da comunidade mediante pagamento em géneros ou “trabalho braçal”, assegurando a mão-de-obra e o reforço de produtos de consumo.

Deste espólio fazem parte peças museológicas ligadas à engenharia agroindustrial, com energias renováveis, alguns localizados no Parque Biológico da Serra da Lousã, outros no Parque de Lazer da Quinta da Paiva. Alguns fazem parte da propriedade, outros implantados para que a coleção fosse o mais representativa possível.

No Parque Biológico da Serra da Lousã temos o sarilho, cegonha, nora, bomba de água manual, para além do moinho de vento, e um lagar de vara integrado no Espaço da Mente. No Parque de Lazer localizam-se o moinho de água, levada, roda de rega e açude, dos quais falaremos mais adiante.

Moinhos de água e vento: mecanismos transformação de produtos agrícolas 

O concelho de Miranda do Corvo é atravessado pelos rios Alheda, Dueça e Ceira, e de relevo predominantemente montanhoso, como tal tem tradição em engenhos de moagem. Os chamados moinhos de montanha ou de inverno, pelo tipo de rodízio horizontal, mais leve e ágil, conseguem fazer o aproveitamento de pequenos caudais de verão. O moinho da Quinta da Paiva é de um só casal de mós e composto por três divisões – o moinho, o quarto do moleiro e o curral da burra. Este moinho situa-se na margem esquerda do Rio Dueça, para onde a água da levada desagua depois de fazer mover o rodízio. Este moinho que se encontrava em ruínas foi recuperado em 2011.

O Moinho de vento, reconstruído em 2003 com o apoio do Município de Miranda do Corvo, é o último desta tipologia no concelho. Foi adquirido pela Fundação ADFP no sentido de o preservar e musealizar num espaço visitável.

Centro Interpretativo Geológico

No concelho encontramos paisagens com calcário, arenito, quartzito, granito, xisto e argila. O calhau rolado teve origem nos vales glaciares do Ceira. 

Como pontos de especial interesse em Miranda do Corvo destacamos o Afloramento do Complexo Cristalofílico, unidade litostatigráfica ao longo de uma faixa com cerca de 2,5 km de largura (idade: + 600 M.a.); o Afloramento do Grupo de Silves, uma falha normal (talude observável da estrada que liga Miranda a Lamas); Gondramaz, a aldeia pertencente à rede das Aldeias de Xisto, está inserida no Grupo das Beiras, essencialmente composto por rochas metamórficas que se formaram por influência de elevada pressão e temperatura, sendo das rochas mais antigas do concelho (idade: + 600 M.a.); o Miradouro da Chapinha que permite observar a depressão tectónica de Miranda do Corvo; o Afloramento de Granito de Vila Nova que corresponde a rochas magmáticas ácidas com idade radiométrica de 540- 542 Milhões de anos, estando uma área de cerca de 15 Km2 do granito de Vila Nova exposta à superfície; Parque Biológico da Serra da Lousã – o relevo foi afetado pela falha de Penacova-Vérin e pela erosão causada pelo rio, os terraços fluviais do rio Dueça compostos por materiais sedimentares transportados pelas águas.

No futuro, o Parque Biológico vai incluir uma área de exposição geológica com fins pedagógicos, destinado aos vistantes.